Portugal through the lens of Artur Pastor

As you walk through Maré, you’ll notice photographs, posters, ceramics and other objects that we chose not simply for their beauty, but for their authenticity and the stories they tell about Portuguese art and design. It’s important to us that Maré celebrates Portuguese art, design and culture, and that our guests encounter a little of each during their stay. Whether it’s a photograph on the wall, a piece of ceramics or something made by a local artisan, the objects you’ll find throughout Maré have been chosen with care, and each has a story of its own. Over the coming months, we’ll be sharing some of those stories in our Unfold journal, and we begin with a photographer whose images you’ll find throughout Maré: Artur Pastor.

Born in the Alentejo in 1922, Artur Pastor became one of the most distinctive Portuguese photographers of the 20th century. Interestingly, photography was not initially his profession. He trained in agriculture and first started taking photographs while illustrating his final thesis in 1942. By the age of 23, he had already presented his first photographic exhibition, Motivos do Sul. Much of Pastor’s work documented the Portugal he saw around him: fishermen bringing in their catch, agricultural workers in the fields, markets, villages, beaches and landscapes, as well as the changing streets of Lisbon. His background in agriculture also became closely connected to his photography. In the 1950s, he joined the Ministry of Economy’s agricultural services, where he founded its photographic archive.

His photographs appeared in Portuguese and international publications, including The Times, and were exhibited both in Portugal and abroad. He also published two important photographic books dedicated to places that particularly interested him: Nazaré, in 1958, and Algarve, in 1965. Pastor continued photographing throughout his life until he passed in 1999. In 2001, Lisbon City Council acquired his photographic estate from his family, creating an important record of Portuguese life across much of the 20th century.

We love his photographs for their focus on everyday life. He masterfully captured moments in life - people working, talking, carrying fish, tending the land or simply going about their day. Looking at the images now gives us a fascinating view of Portugal in the mid-20th century. For Maré, we were particularly drawn to Pastor’s photographs of life along the Portuguese coast. Throughout the house, you’ll find images of fishermen at work, boats pulled onto the shore and women carrying baskets of freshly caught fish to market. They felt like a natural choice for a house in Ericeira, a town whose history and identity are so closely connected to the sea.

For us, these photographs are more than decoration. They offer a glimpse of Portugal that has changed considerably, but also of what remains part of life here today: the sea, fishing, local traditions, and the people behind them.

 

Portugal através da lente de Artur Pastor

Ao percorrer a Maré, irá reparar em fotografias, cartazes, peças de cerâmica e outros objetos que escolhemos não apenas pela sua beleza, mas também pela sua autenticidade e pelas histórias que contam sobre a arte e o design portugueses. É importante para nós que a Maré celebre a arte, o design e a cultura portugueses, e que os nossos hóspedes possam descobrir um pouco de cada um durante a sua estadia. Seja uma fotografia na parede, uma peça de cerâmica ou algo criado por um artesão local, todos os objetos que encontra na Maré foram escolhidos com cuidado, e cada um tem a sua própria história. Nos próximos meses, iremos partilhar algumas dessas histórias no nosso Unfold Journal. E começamos com um fotógrafo cujas imagens poderá encontrar por toda a Maré: Artur Pastor.

Nascido em Alter do Chão, no Alentejo, em 1922, Artur Pastor tornou-se um dos mais marcantes fotógrafos portugueses do século XX. Curiosamente, a fotografia não era inicialmente a sua profissão. Formou-se na área da agricultura e começou a fotografar quando preparava as imagens para ilustrar a sua tese final, em 1942. Aos 23 anos, já tinha apresentado a sua primeira exposição fotográfica, Motivos do Sul.

Grande parte do trabalho de Pastor documentou o Portugal que encontrava à sua volta: pescadores a trazer o peixe para terra, trabalhadores agrícolas nos campos, mercados, aldeias, praias e paisagens, assim como as ruas de Lisboa em transformação. A sua formação na área agrícola acabou também por ficar intimamente ligada ao seu trabalho fotográfico. Na década de 1950, integrou os serviços agrícolas do Ministério da Economia, onde criou o respetivo arquivo fotográfico.

O que mais gostamos nas suas fotografias é a forma como retratam o quotidiano. Vemos pessoas a trabalhar, a conversar, a transportar peixe, a cuidar da terra ou simplesmente a seguir a sua rotina. Olhar para estas imagens hoje permite-nos conhecer um pouco do Portugal de meados do século XX, sobretudo a vida das suas comunidades rurais e costeiras.

As suas fotografias foram publicadas em publicações portuguesas e internacionais, incluindo o The Times, e o seu trabalho foi exposto tanto em Portugal como no estrangeiro. Publicou também dois importantes livros de fotografia dedicados a lugares que despertaram particularmente o seu interesse: Nazaré, em 1958, e Algarve, em 1965. Pastor continuou a fotografar ao longo da vida, até à sua morte, em 1999. Em 2001, a Câmara Municipal de Lisboa adquiriu o seu espólio fotográfico à família, preservando assim um importante registo da vida portuguesa ao longo de grande parte do século XX.

Na Maré, sentimo-nos particularmente atraídos pelas fotografias de Pastor que retratam a vida ao longo da costa portuguesa. Por toda a casa encontrará imagens de pescadores a trabalhar, barcos puxados para terra e mulheres a transportar cestos de peixe acabado de pescar para o mercado. Pareceram-nos uma escolha natural para uma casa na Ericeira, uma vila cuja história e identidade estão tão profundamente ligadas ao mar.

Gostamos especialmente do facto de estas fotografias serem muito mais do que decoração. Mostram-nos cenas de um Portugal que mudou bastante, mas também muitas coisas que continuam a fazer parte da vida por aqui: o mar, a pesca, as tradições locais e, sobretudo, as pessoas que lhes dão vida.

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